Robson Dias é um cineasta, editor e diretor de fotografia nascido no Brasil e radicado na França, cujo cinema mescla visão artística com propósito militante. Mestre em Direção de Documentários pela Universidade Aix-Marseille e formado pela PUC-Rio, Dias construiu uma carreira comprometida em desmantelar estereótipos, confrontar legados coloniais e amplificar vozes das margens — especialmente as de comunidades negras, indígenas e faveladas.
Criado no Sul Global e moldado pela resistência de sua herança quilombola afro-brasileira, Dias se considera artista e ativista. Sua produção cinematográfica é indissociável de seu engajamento político: cada obra é uma ferramenta de resistência cultural e um diálogo com a história. Esse compromisso o levou dos becos das favelas do Rio aos principais palcos do cinema internacional, incluindo Cannes, onde palestrou como um dos painelistas que representavam cineastas negros no Brasil.
Em 2024, seu curta-metragem documental Favela Turística — uma investigação aguçada sobre as contradições do turismo em favelas — foi selecionado para o prestigiado Programa Access da Warner Bros. Discovery, tornando-se um dos três únicos projetos produzidos em todo o país. Estreando na plataforma MAX, o filme conquistou prêmios e atenção do público, consolidando sua reputação como um cineasta que confronta verdades incômodas com precisão e maestria.
Seu projeto de longa-metragem atual, Eu Ouvi o Chamado: O Retorno do Manto Tupinambá, acompanha a jornada política e espiritual para repatriar mantos de penas sagrados retirados do povo Tupinambá no século XVII e mantidos em museus europeus. O projeto ganhou o prêmio "Documentos em Progresso" no Cannes Docs 2025, após ser selecionado para grandes plataformas do setor, como EFM/Berlinale, Cannes Docs 2024, Nicho54 e DIA.LAB. Com sua exploração em camadas de arte, espiritualidade, soberania e memória colonial, o filme personifica a capacidade de Dias de mesclar estética com urgência política.
Além de seus próprios projetos, Dias está comprometido com a construção de capacidade coletiva no cinema. Ele orientou cineastas emergentes, trouxe a metodologia do documentário para a École Kourtrajmé em Marselha e participou de iniciativas como o programa Safer Plage, que aborda a violência sexista e sexual por meio de intervenções presenciais e campanhas de conscientização. Seu engajamento se baseia na crença de que o cinema não é apenas um meio para contar histórias, mas uma plataforma para a transformação.
Fluente em vários idiomas e com experiência em direção, fotografia e edição, Dias navega pelo circuito cinematográfico global como criador e estrategista cultural. Sua presença — seja atrás das câmeras, em um painel ou em campo — é sempre movida pela convicção de que o cinema pode ser uma arma contra a invisibilidade e uma ponte para a justiça.

English version
Robson Dias is a Brazilian-born, France-based filmmaker, editor, and cinematographer whose cinema merges artistic vision with militant purpose. A master in Documentary Directing from Aix-Marseille Université and graduate of PUC-Rio, Dias has built a career committed to dismantling stereotypes, confronting colonial legacies, and amplifying voices from the margins—especially those of Black, Indigenous, and favela communities.
Raised in the Global South and shaped by the resistance of his Afro-Brazilian quilombola heritage, Dias sees himself as both an artist and an activist. His filmmaking is inseparable from his political engagement: each work is a tool of cultural resistance and a conversation with history. This commitment has taken him from the alleys of Rio’s favelas to the main stages of international cinema, including Cannes, where he spoke as one of the panelists representing Black filmmakers in Brazil.
In 2024, his short documentary Favela Turística—a sharp investigation into the contradictions of favela tourism—was selected for Warner Bros. Discovery’s prestigious Access Program, becoming one of only three projects produced nationwide. Premiering on the MAX platform, the film garnered awards and public attention, solidifying his reputation as a filmmaker who confronts uncomfortable truths with precision and artistry.
His current feature project, I Heard the Calling: The Return of the Tupinambá Cloak, follows the political and spiritual journey to repatriate sacred feather mantles taken from the Tupinambá people in the 17th century and held in European museums. The project won the “Docs-in-Progress” Award at Cannes Docs 2025, after being selected for major industry platforms such as EFM/Berlinale, Cannes Docs 2024, Nicho54, and DIA.LAB. With its layered exploration of art, spirituality, sovereignty, and colonial memory, the film embodies Dias’s ability to merge aesthetics with political urgency.
Beyond his own projects, Dias is committed to building collective capacity in cinema. He has mentored emerging filmmakers, brought documentary methodology to the École Kourtrajmé in Marseille, and participated in initiatives such as the Safer Plage program, addressing sexist and sexual violence through on-site interventions and awareness campaigns. His engagement is rooted in the belief that cinema is not just a medium for storytelling, but a platform for transformation.
Fluent in multiple languages and experienced across directing, cinematography, and editing, Dias navigates the global film circuit as both creator and cultural strategist. His presence—whether behind the camera, on a panel, or in the field—is always driven by the conviction that film can be a weapon against invisibility and a bridge toward justice.


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